25 de set de 2014

Você precisa conhecer: Meiko, uma cantora-compositora pronta para quebrar estereótipos

meiko_2

por Caio Coletti

A tradição de artistas femininas que compõe suas próprias canções e empunham um violão para cantá-las pode ter começado lá nos anos 60 com Joni Mitchell, que abriu as portas do folk e do pop acústico para as mulheres, mas a grande referência dos americanos para o “gênero” é uma só: Jewel. A artista country que estourou nos anos 90 e construiu uma carreira incomum (e muito bem-sucedida) desde então, parece ser uma pedra no sapato da jovem Meiko, uma das mais talentosas cantoras-compositoras a surgir nos últimos anos. Em entrevista para o Buzzlands L.A., a moça conta que frequentemente é perguntada se ela “soa como Jewel” quando diz que compõe ao violão.

“Jewel é a única garota na qual você consegue pensar que toca violão? Eu não sei. Eu acho que muitas pessoas estão ficando muito legais musicalmente. Adele abriu muitas portas para muitas garotas, por exemplo”, ela rebate. Com um pouco de sague japonês, Meiko apareceu para o mundo antes da estrela britânica que cita em sua entrevista – foi descoberta no MySpace em 2007, e no ano seguinte lançou o disco de estreia, auto-intitulado, pela então promissora gravadora fundada pela rede social.

Meiko emplacou várias faixas em séries de TV de sucesso. Um disco sentido e meio-amargo, sua estreia a alavancou de um trabalho como garçonete no lendário Hotel Café, em Los Angeles, para atração principal do palco do local. Ela tocou ao lado de Lenka, Sara Bareilles, Ingrid Michaelson e Rachael Yamagata, entre outras. A experiência no Hotel Café também serviu para que Meiko presenciasse shows que a influenciaram definitivamente: “O primeiro show que me encantou foi quando vi Sia pela primeira vez. Eu estava trabalhando como garçonete, e eu simplesmente parei e chorei o tempo todo. Foi tão lindo”, ela conta.

Veja abaixo o single “Boys With Girlfriends”, do primeiro disco da moça, que antecipou um pouco o tempero ousado das outras investidas da carreira. Vale destacar também, do Meiko, a linda faixa “Sleep”.

A falência da MySpace Records foi parte do problema que levou Meiko a esperar quatro anos para lançar seu segundo álbum, The Bright Side, em 2012. Na entrevista para o Buzzlands, a cantora afirmou que sente seu amadurecimento como compositora caminhar junto com o envelhecimento, e que o segundo disco é bem mais otimista que o primeiro. Escrito sob a influência de um novo amor, The Bright Side experimenta também, e muito, no campo musical. Sai de cena a dominância do violão e entram batidas influenciadas pelo R&B e pela eletrônica, o que surpreendeu muitos fãs.

“Esse é outro problema de ser jogada no gênero cantora-compositora. Você é tão doce, você canta la-la-las, e fala de amor – mas há outro lado, a influência de SWV, TLC, Mary J. Blige, e todas essas coisas antigas que eu amo. Está na minha alma. Eu adoro misturar esses elementos”, esclarece Meiko.

As tais influências podem ser sentidas de maneira decisiva no absoluto destaque do álbum, a faixa “Leave the Lights On” (abaixo). Meiko contou que foram os testes com o público, ao vivo, que levaram ela a incluir a canção no disco. “Quanto eu estava fazendo o álbum, todo mundo disse que ela não deveria estar nele. Mas quando toquei-a ao vivo, eu pude sentir que as pessoas estavam gostando. É algo que acontece, você consegue sentir quais canções vão melhor ou pior”, afirma.

Outros destaques do excelente The Bright Side são a ensolarada "Let it Go", a ácida (ironicamente) "Real Real Sweet", e a indispensável "Good Looking Loser", provavelmente nossa música preferida da carreira de Meiko até agora.

Como a moça prometeu que não iria demorar outra meia década para nos dar um terceiro disco, no próximo dia 14 de Outubro ela lança Dear You, álbum composto pelo que ela chama de “cartas nunca enviadas”. A julgar pelas já lançadas “Bad Things” (dona de um clipe engraçadinho, mas ao mesmo tempo meio perturbador) e “Be Mine” (abaixo), o conteúdo dessas cartas é mesmo muito confessional, e um pouco sombrio.

Nada como uma cantora-compositora que não tem medo de fugir dos estereótipos.

Pra quem gosta de: Sara Bareilles, Ellie Goulding, Dido, Diana Vickers

0 comentários: