7 de jan de 2015

Person of Interest 4x11: If-Then-Else

PERSON OF INTEREST

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

por Caio Coletti

“If-Then-Else” é um exercício excepcional de narrativa. Um daqueles episódios de televisão que, talvez daqui há 10 ou 20 anos, servirão de exemplo para mostrar o que essa mídia é capaz de fazer, o quão criativa e interessante ela pode ser. O roteiro assinado por Denise Thé (4x04, “Brotherhood” – review) resgata uma tradição da TV que andou perdida nessa que é chamada a “era de ouro” do formato: no melhor espírito dos episódios cômicos de Arquivo X e do grande musical que Buffy armou lá pelas alturas da sexta temporada, Person of Interest subverte a própria noção de história linear e mexe com a cabeça do espectador ao contar uma parábola poderosa sobre a brutalidade e a generosidade humanas – através de uma série de simulações operadas pela Machine de Finch, que está tentando tirar nossos heróis da situação mais espinhosa na qual estiveram.

Sem perder o espírito brincalhão que adquiriu nos últimos tempos, Person nos presenteia com alguns pequenos prazeres pelo caminho, recompensando o espectador que conhece bem os personagens e é capaz de se divertir com eles tanto quanto é capaz de se emocionar ou se angustiar com seus destinos. “If-Then-Else” marca a despedida de uma personagem que se infiltrou na memória afetiva do público da série de uma maneira impressionante, e presta tributo a ela entregando à atriz que a interpreta o material mais farto que lhe é dado em tempos. Sarah Shahi, como de costume, permanece ferozmente fiel a sua definição de Shaw, e é isso que torna especial cada momento dela no episódio – muito mais pela força da atriz do que por qualquer outra coisa, a personagem se tornou uma figura indissociável da série, e o efeito de sua morte é forte o bastante para sublinhar bem o tema do episódio e representar uma tremenda ruptura no funcionamento de Person.

“If-Then-Else” é um eletrizante jogo de xadrez contra a sorte, um estudo de personagem bem consciente do que a série nos informou sobre eles até agora, e uma ousadia narrativa que se encaixa perfeitamente com o mundo criado por Person, especialmente nesse quarto ano. É um thriller de ação ultra-atual sobre a forma como nos conectamos com as pessoas, e a diferença que faz essa dimensão humana do mundo. É uma demonstração dramática e extrema de que os cálculos de uma máquina não são capazes de prever cada comportamento e variável do mundo real. E é especialmente uma thinking piece filosófica e humanista sobre a necessidade de entender que nenhuma vida é menos importante que a outra – que a verdadeira compaixão e o verdadeiro sentimento não admitem a existência de “coadjuvantes” ou “protagonistas”.

Em pleno meio caminho de seu quarto ano, Person of Interest vira o tabuleiro de cabeça para baixo e deixa as peças caírem no chão mais uma vez, incitando o caos emocional que com certeza preencherá a segunda metade da temporada. E mostrando que, espatifados no asfalto, o peão e a rainha parecem exatamente iguais.

Notinhas adicionais:

  • Eu NÃO estou brincando: a televisão americana pode se preparar para 2015, porque ainda estamos em 08 de Janeiro e “If-Then-Else” acabou de se tornar o episódio a ser batido.
  • É preciso dar parabéns ao diretor Chris Fisher pela forma geniosa com a qual ele conduz essa narrativa cheia de brincadeiras conceituais, mas que ainda quer soar séria e importante no final das contas. Nem todo diretor conseguiria equilibrar esses tons, mas o trabalho do moço aqui é perfeito.
  • B’bye Shaw! We’ll miss you!

✰✰✰✰✰ (5/5)

PERSON OF INTEREST

Próximo Person of Interest: 4x12 – Control-Alt-Delete (13/01)

2 comentários:

!3runo disse...

Quem disse que Shawn morreu? Nao apareceu na tela, nao aconteceu!!!

Caio Coletti disse...

Bruno, não tínhamos pesquisado antes, mas achamos agora uma entrevista da Sarah Shahi que confirma que, morta ou não, a Shaw vai estar fora da série por pelo menos "algumas temporadas". A Sarah está grávida de gêmeos, já tem outro filho, e resolveu tirar uma longa licença pra cuidar da família.