27 de fev de 2015

Person of Interest 4x16: Blunt

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ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

por Caio Coletti

11º episódio da segunda temporada de Person, “2 Pi R” (review) foi o primeiro capítulo da série que revisamos aqui n’O Anagrama. Uma rápida pesquisa garante que já fazem dois anos desde que o gênio matemático Caleb Phipps foi o número-da-semana trabalhado por Finch – naquela altura, Mr. Reese estava preso pela CIA do Agente Donnelly e prestes a ser questionado pela própria Detetive Carter, quem lembra? Trazer o personagem de volta agora, interagindo com Root em uma subtrama que só pode ser fundamental para a parte final da temporada, é uma das jogadas mais surpreendentes que Person já aplicou, e mostra que a série está mais do que consciente da forma como a Machine conecta as pessoas e, essencialmente, nunca se esquece delas. Uma série de menor excelência não seria capaz de tornar a parte procedural de sua trama algo tão importante, e de consequências tão ramificadas, para o storytelling em maior escala.

Essa característica fundamental de serialização e tridimensionalização das intenções e destinos dos personagens fica clara também na trama da semana do próprio “Blunt”. Centrada em uma performance vivaz e verborrágica de Annie Ilonzeh (Arrow, Drop Dead Diva), o retrato da manipuladora ladra que é missão dos protagonistas nessa semana é um dos mais apaixonantes que Person entregou em tempos recentes. A personagem de Ilonzeh entra no radar de Finch e Reese depois de operar um golpe no qual roubou dinheiro de uma loja autorizada de maconha medicinal – ou melhor, uma loja autorizada de maconha medicinal com o rabo preso com a Brotherhood. “Blunt” traz de volta a ameaça mais terrena da quarta temporada (em oposição ao Samaritan) e segue nos mostrando o processo de ascensão de uma força a ser reconhecida no submundo do crime de Person.

O roteiro de Amanda Segel (4x10, “The Cold War” – review) e Greg Plageman (4x01, “Panopticon” – review) é um dos mais concisos e inteligentes que Person já entregou, ao menos em questão de diálogos e progressão de trama. O que impressiona em “Blunt” é o ritmo com o qual os acontecimentos se sucedem, sem nunca fazerem o episódio soar apressado, e ao mesmo tempo o desfile de temas e elaborações típicas de Person – sempre comentamos sobre a defesa que a série faz da conexão humana, e é muito bacana o que a trama (e guest star) da semana nos diz sobre isso. Em termos de narrativa maior, é claro que essa 16ª entrada da temporada é muito mais uma preparação do que está por vir do que uma efetiva evolução de trama, mas isso de forma alguma significa que ele seja inferior a outros episódios da temporada. Pelo contrário, “Blunt” é um dos exemplos mais gráficos e interessantes do que tornou Person o melhor procedural da televisão americana.

✰✰✰✰✰ (4,5/5)

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