8 de mai de 2015

Gotham 1x22: All Happy Families Are Alike [Season Finale]

GOTHAM: Oswald Cobblepot (Robin Lord Taylor, R) pays a special visit to Carmine Falcone (John Doman, L) in the “All Happy Families Are Alike” episode of GOTHAM airing Monday, May 4 (8:00-9:00 PM ET/PT) on FOX. ©2015 Fox Broadcasting Co. Cr: Jessica Miglio/FOX

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

por Caio Coletti

“You’re going to burn in hell”. “I do worry about that, but your first, my friend”. Esse pequeno diálogo, trocado entre Carmine Falcone e Oswald Cobblepot, o Pinguim, em uma das primeiras cenas realmente tensas do finale da temporada de estreia de Gotham, é simbólico do espírito do episódio. “All Happy Families Are Alike” se impõe como um finale legítimo na força bruta, enfileirando cenas verdadeiramente violentas e transformações de personagem verdadeiramente perturbadoras para tentar disfarçar que, a bem da verdade, o episódio não finaliza muita coisa. O espírito do roteiro de Bruno Heller, developer da série, está contido em um embate simbólico entre crença e descrença, como bem expressa o Comissário Loeb interpretado de forma acertadíssima (como sempre) por Peter Scolari: “Hope, it’s for losers”. Na guerra de gangues insana que o episódio retrata, com o retorno de Fish para esquentar o embate já intenso entre Maroni e Falcone, “All Happy Families Are Alike” deixa seus personagens navegarem da melhor forma que podem o caos controlado que o roteiro cria, e no caminho cria um capítulo que triunfa por encapsular bem a significância de cada um deles.

Comecemos pelos que ganham menos espaço no episódio: Bruce a Alfred passam-no presos em uma busca incessante pelos segredos de Thomas Wayne, subtrama que cria um belo retrato da relação antagônica e ainda assim fraterna entre os dois, e de quebra provem o cliffhanger de que Gotham precisava para reafirmar que, ainda que em passos lentos, está caminhando para o amadurecimento desses personagens e a mitologia essencial que eles representam; Leslie e Barbara jogam um jogo empolgante de se assistir, cheio de meias palavras e insinuações, e é interessante ver que Erin Richards, que esteve bem apagada durante a temporada, se aproveita da oportunidade de explorar um lado kitsch de sua interpretação – é bacana ver que Gotham não fugiu do trauma que Barbara claramente demonstrou no episódio anterior, depois de ter sido liberada pelo Ogre, e ainda que o roteirista Heller soube lidar com essa storyline da maneira quadrinesca característica da série; a única subtrama que parece não significar muita coisa é a aliança entre Fish e Selina, que se desenha de forma vaga e termina (presumivelmente) tão rápido que nem tem tempo de significar algo no arco de personagem da futura Mulher-Gato – mesmo assim, Camren Bincondova acerta em cheio nos trejeitos e linguagem corporal da personagem.

O prato principal, no entanto, é a guerra de gangues em que os jogadores relevantes vão se multiplicando: Falcone e Maroni são manipulados pelo Pinguim, que quer derrubar os dois e se tornar rei de Gotham (será que aquela exclamação no final significa que ele conseguiu?), enquanto Fish ressurge das cinzas para bagunçar ainda mais essa disputa, e convenientemente desferir um tiro certeiro na cabeça de um dos chefões, em uma cena que só pode ser descrita como catártica. A grande virtude da interpretação de Jada Pinkett Smith durante esses 22 episódios foi a forma como ela tornou Fish uma vilã crível, entendendo a luta da personagem por ser reconhecida em um mundo essencialmente masculino, ao mesmo tempo em que não perdeu de vista o fato de que Fish se sentia a vontade no mundo hiper-violento e sórdido de Gotham. Se essa realmente for a última vez que a veremos, Fish Mooney vai deixar saudades como a vilã gloriosamente geniosa que se mostrou.

É através de Falcone, no entanto, que a série faz seu ponto mais forte, e volta a entender a minúcia do seu protagonista. John Doman e Ben McKenzie são ótimos dividindo a cena, mas é do roteiro de Heller que sai o profundo entendimento de que Gotham, a série, é nada mais do que a crônica de uma metrópole em processo de transição. Quando John Doman entrega a pequena faca, que pertencia ao pai de Gordon, para Ben McKenzie, é quase como se um personagem estivesse “passando a guarda” da cidade para o outro. Nesse primeiro ano, por mais devagar que Gotham tenha se movido no sentido da mitologia, a série fez um retrato brilhante do ambiente dessa metrópole, e das rachaduras nem tão pequenas que existem em sua própria fundação. Posicionar um herói falho como Gordon (e como o Batman também virá a ser) no papel de homem responsável por assegurar o mínimo bem-estar dessa cidade é uma forma empolgante de armar uma narrativa – e é também estranhamente apropriado. Digamos que, se “esperança é para perdedores”, como diz o Comissário Loeb, Jim Gordon definitivamente é um.

✰✰✰✰✰ (4,5/5)

Gotham 122P_1001

Gotham está renovada para segunda temporada!

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