7 de jul de 2015

Você precisa conhecer: a colisão do folk com o eletrônico na música do Handsome Ghost

© Meredith Truax

por Caio Coletti

Frequentemente, os melhores novos artistas são aqueles que emprestam um conceito com o qual o público e a crítica já estão acostumados e o fazem empolgante de novo. O Handsome Ghost, projeto do nova-iorquino Tim Noyes que ganhou proeminência nos últimos meses, definitivamente é um desses artistas: não é nenhuma novidade misturar elementos eletrônicos com sensibilidade folk, como os fãs de Postal Service e alguns outros nomes devem testemunhar, mas o que Noyes faz no EP de estreia do Handsome Ghost consegue ser ao mesmo tempo reverente à influência desses pioneiros e tremendamente pessoal. Ex-integrante de uma banda de folk e também ex-professor de Ensino Médio, o americano consegue adicionar um edge mais pop na mistura (se aproximando, mas não desaguando completamente, no que o Owl City faz), e ainda completa o pacote com uma sensibilidade madura que escapa das poesias fáceis que assombram o gênero. É como se o The 1975 abandonasse as guitarras elétricas, como se a nova direção musical do Coldplay fosse inspirada no cenário indie.

Por falar no The 1975, aliás, Noyes até gravou um cover de “Sex”, uma das melhores canções do grupo. Confere aí embaixo:

Embora não considere o Handsome Ghost um projeto de cantor-compositor, é assim que Noyes se define como artista. Complicado? Nem tanto. Acontece que, sob esse pseudônimo, o músico consegue se sentir mais livre para explorar fora das barreiras de gênero, e colaborar com outros instrumentistas (como o companheiro de tour Eddie Buyn, que toca os sintetizadores das músicas) e produtores. O primeiro EP, Steps, foi concebido com a ajuda de Matt Squire, que trabalhou com artistas bem díspares como Panic! At the Disco, 3OH!3 e Ke$ha. A influência do eclético produtor se faz sentir na forma como as canções, compostas por Noyes no violão acústico, se ajustam à moldura mais pop e eletrônica do som desejado pelo músico. “[O Handsome Ghost] é muito mais do que um cara com um violão, mas é dessa forma que as músicas começam. Então eu me considero um cantor-compositor que está em um projeto que é mais do que isso”, esclarece Noyes.

Nas seis canções do EP de estreia, que deve se transformar em álbum em breve se nos fiarmos às declarações do líder do projeto (“A turnê [abrindo o show do MisterWives] tem sido incrível, mas eu estou ansioso para ter algumas semanas para compor para o álbum”), Noyes destila essa mistura musical refinada e complexa que desenvolveu para o Handsome Ghost. “Bloodshot”, a quinta faixa, é também a que foi composta a mais tempo (segundo o próprio cantor), e impressiona pela franqueza com a qual Noyes expõe as letras escritas no que sem dúvida foram momentos vulneráveis da juventude: “I wanted to crash your party/ But I couldn’t find your house/ I wanted to touch your body/ And kiss you on the mouth”, clama ele logo antes de desaguar em um refrão simples e arrepiante pela bela melodia. O mais bacana do Handsome Ghost é a forma como a poesia das letras se molda à construção melódica e ao instrumental, de forma que, mesmo quando não conta uma história linear, o feeling do produto final é surpreendentemente evocativo.

“Eu não escrevo de forma muito literal – eu não vou me sentar e escrever o que fiz ontem a noite, mas eu gosto que as minhas canções capturem momentos, sejam meu jeito de digerir o que está acontecendo comigo. Eu posso ouvir uma música minha e lembrar ‘oh, era inverno e eu estava em Boston’”, conta Noyes.

Ouça as seis músicas do EP aí embaixo, e veja os clipes de “Blood Stutter” (que nós amamos!) e “Steps”.

Pra quem gosta de: The Postal Service, Owl City, Coldplay, The 1975, Active Child