28 de jan de 2017

10+ filmes que Sundance 2017 viu (e você também deveria)

sundance

por Caio Coletti

O Festival de Sundance acontece desde 1978, em uma cidadezinha de Utah, no coração dos EUA – já é o maior festival de cinema independente americano, e a cada ano que passa a sua seleção de filmes de outros países e documentários ganha mais destaque. Acompanhar a seleção de Sundance é invariavelmente encontrar algumas pérolas indies sobre as quais falaremos o ano todo, e é a oportunidade de conhecer, também, talentos emergentes que podem estar borbulhando por baixo do radar de Hollywood. Em tempos de Oscar, é bom lembrar que existe (muito) mais cinema por aí do que o que a Academia escolhe reconhecer.

manifesto

Manifesto (Julian Rosefeldt, Austrália/Alemanha)

Julian Rosefeldt primeiro idealizou e realizou Manifesto como parte de uma instalação artística que constituía em uma sala cheia de telas de TV, cada uma delas passando um curta-metragem diferente estrelado pela atriz Cate Blanchett. Nos curtas, ela encarnava personagens dos mais diversos, de um trabalhador desleixado de fábrica a uma rebelde rock n’ roll e uma engomadinha âncora de jornal. O texto era tirado direto de manifestos artísticos e sociais dos mais diversos, desde aquele fatídico de Karl Marx até os de movimentos menos conhecidos da história da arte.

O Manifesto que estreou no Festival de Sundance é uma condensação dessa experiência em 2h10min de filme, uma experiência cinematográfica e intelectual que merece o termo surrado tour de force, e confirma Blanchett como talvez a maior intérprete da nossa era.

Confira o trailer

roxanne

Roxanne Roxanne (Michael Larnell, EUA)

Durante os anos 80, você não sabia nada de hip hop se não conhecesse Roxanne Shanté. Emprestando o nome de um sucesso do trio U.T.F.O., ela se tornou a MC mais respeitada e temida de sua época aos 14 anos, gerando uma série de gravações de hop hop ao redor do mundo, réplicas e tréplicas para suas canções provocativas e intensas. O filme Roxanne Roxanne finalmente traz essa história para o cinema, com a estreante Chanté Adams entregando uma performance explosiva no papel principal. O trabalho do roteirista/diretor Michael Larnell promete impulsioná-lo ao estrelato após o filme de estreia, Cronies, fazer pouco barulho.

Mahershala Ali, indicado ao Oscar pelo papel em Moonlight, tem papel coadjuvante no filme, assim como Nia Long, mais conhecida pelo papel em Vovó… Zona.

"Roxanne's Revenge"

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Band Aid (Zoe Lister-Jones, EUA)

A atriz Zoe Lister-Jones, mais conhecida pelo papel na série Life in Pieces, estreia na direção com esse curioso romance musical em que um casal briguento tem uma ideia genial: transformar suas discussões em música. Com a ajuda de um amigo baterista, os dois formam uma banda e descobrem que a química que pouco tem na vida diária sobra nos palcos e estúdios. Carregado de deliciosas canções originais, Band Aid promete ser o Sing Street de 2017.

Além de Jones, o elenco conta com Adam Pally (Happy Endings), Fred Armisen (Portlandia), Jamie Chung (Gotham), Brooklyn Decker (Grace and Frankie) e Colin Hanks (Fargo).

Veja entrevista com a diretora

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Crown Heights (Matt Ruskin, EUA)

Baseado em uma história real, o drama Crown Heights promete ser a grande história com carga racial de Sundance 2017. Em 1980, Colin Warner foi condenado por um assassinato por arma de fogo que ele não cometeu – por anos, seu único defensor foi o melhor amigo, Carl King, que perseguiu todo tipo de pistas e recursos judiciais para tentar inocentá-lo. A poderosa história é tratada pelo roteirista e diretor Matt Ruskin, até então conhecido como produtor de Conexão Escobar e outros thrillers.

Lakeith Stanfield (Straight Outta Compton) encarna Colin Warner, com Nnamdi Asomugha (Hello My Name is Doris) no papel de King. Nestor Carbonell (Bates Motel), Bill Camp (The Night Of), Zach Grenier (The Good Wife) e Brian Tyree Henry, revelação da série Atlanta, estão no elenco.

Confira entrevista com o diretor

patti cake$

Patti Cake$ (Geremy Jasper, EUA)

Um conto da improvável amizade entre uma rapper branca de New Jersey que usa o pseudônimo Killa P e um metaleiro de nome igualmente bizarro, Basterd, Patti Cake$ não deveria funcionar. No entanto, o filme de estreia do diretor de clipes Geremy Jasper (Florence + The Machine, Selena Gomez) tem recebido críticas positivas e já é um dos produtos mais aguardados a sair de Sundance nesse ano. A história de Killa P ainda passa por sua avó doente, seu trabalho temporário como garçonete e sua vontade de deixar New Jersey para trás ao lado do melhor amigo, Jheri.

Danielle Macdonald, até então conhecida por um papel minúsculo em American Horror Story, entrega uma performance-revelação na pele de Patti, enquanto Bridget Everett (Inside Amy Schumer) cuida da comédia e do drama como a mãe sempre alcoolizada da protagonista. Mamoudou Athie, o Grandmaster Flash de The Get Down, completa o elenco.

Confira entrevista com o diretor

axolotl

Axolotl Overkill (Helene Hegemann, Alemanha)

Helene Hegemann dirige e escreve a adaptação de sua própria obra, traduzida no Brasil como Axolotle Atropelado, um conto surrealista de excesso e narcisismo. Lançado quanto Hegemann tinha apenas 18 anos, o livro causos controvérsia por ter partes “recortadas” de outras obras, ao que a autora admitiu mais tarde – versões subsequentes vem com créditos das passagens usadas por Hegemann. Na trama, acompanhamos a jovem Mifti, que tenta escapar da memória de uma ex-amante mais velha se entregando a um submundo de drogas e sexo.

Uma das jovens atrizes mais cotadas de sua geração na Alemanha, Jasna Fritzi Bauer se entrega ao papel de Mifti como a concepção de Hegemann exige. Arly Jover, conhecida pelos papeis em Hollywood (Blade, Millennium) encarna Alice, a onipresente ex-namorada da protagonista.

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The Hero (Brett Haley, EUA)

Dos grandes atores de sua geração, Sam Elliott é talvez o único que ainda não teve um papel à altura na velhice, que o trouxe de volta para a percepção do público. Isso deve mudar com The Hero, que o coloca na pele de um astro de faroestes antigos em decadência tentando consertar a relação com a filha ao mesmo tempo em que busca um último papel para cimentar seu legado. O diretor Brett Haley já deu um papel de primeira para outra atriz mais velha sumida, Blythe Danner, no romance Reaprendendo a Amar (2015).

Laura Prepon, a Alex de Orange is the New Black, está no elenco ao lado de Krysten Ritter (Jessica Jones), Nick Offerman (Parks and Recreation) e Todd Giebenhain (Raising Hope).

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Ingrid Goes West (Matt Spicer, EUA)

Uma comédia sobre obsessões virtuais, Ingrid Goes West retrata a saga da personagem título, interpretada por Aubrey Plaza (Parks and Recreation) para se tornar a melhor amiga da estrela das redes sociais Taylor Sloane, vivida por Elizabeth Olsen, a Feiticeira Escarlate dos filmes da Marvel. Absolutamente obcecada, Ingrid se muda para perto de Taylor e se aproxima dela com uma “identidade falsa” – tudo corre bem até que o irmão mais novo de Taylor, Nicky (Billy Magnussen, de Caminhos da Floresta), começa a descobrir a farsa.

Matt Spicer estreia na direção com Ingrid Goes West, que tem O’Shea Jackson (Straight Outta Compton), Pom Klementieff (Oldboy) e Wyatt Russell (Anjos da Lei 2) no elenco.

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A Ghost Story (David Lowery, EUA)

Para respirar após fazer um semi-blockbuster (Meu Amigo o Dragão), o diretor e roteirista independente David Lowery filmou, praticamente em segredo, o excêntrico mistério dramático A Ghost Story, em que um homem contempla a passagem do tempo e o luto daqueles que deixou para trás após morrer repentinamente. Com um visual único e uma narrativa dispersa, Lowery usa clichês batidos (o fantasma do seu filme de fato está coberto com um lençol branco, como uma fantasia de Halloween) e os renova com a sua abordagem única.

Casey Affleck e Rooney Mara, que estrelaram Amor Fora da Lei, filme anterior do diretor, se reúnem nessa nova experiência comandada por Lowery. Brea Grant (Dextrer) também está no elenco.

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Landline (Gillian Robespierre, EUA)

Após sua excepcional estreia na direção em Obvious Child, Gillian Robespierre retorna com uma dramédia sobre três mulheres de família na última era pré-celulares, os anos 90. A irmã mais jovem Ali descobre que o pai está tendo um caso, e conta para a mãe, Pat, que entra em depressão por não ter a família perfeita que pensou ter. Enquanto isso, a engomadinha irmã mais velha Dana descobre que tem um lado selvagem.

Jenny Slate, que estreou o filme anterior de Robespierre, retorna como Dana. Edie Falco (Nurse Jackie) é Pat, e Abby Quin (The Sisterhood of Night) interpreta Ali. Ao redor desse forte trio protagonista, gente como John Turturro, Finn Wittrock, Jay Duplass e Ali Ahn.

Menções honrosas:

- The Yellow Birds (Alexandre Moors, EUA) – Bartle (Alden Ehrenreich) e Murph (Tye Sheridan) enfrentam os horrores da Guerra do Iraque enquanto Bartle é atormentado por uma promessa que fez à mãe de Murph (Jennifer Aniston). Roteiro de David Lowery (Amor Fora da Lei).

- The Big Sick (Michael Showalter, EUA) – Kumail Nanjiani (Silicon Valley) reconta a história das diferenças culturais de seu relacionamento de longa data com uma garota americana. Zoe Kazan, Holly Hunter e Ray Romano estão no elenco. Do diretor de Hello My Name is Doris.

- Mudbound (Dee Rees, EUA) – Dois soldados retornam da 2ª Guerra e tem de lidar com racismo e os ajustes à vida civil. Carey Mulligan, Garrett Hedlund, Jonathan Banks, Jason Clarke e Mary J. Blige no elenco. Segundo filme de Dee Rees, após o elogiadíssimo Pariah.

- The Polka King (Maya Forbes & Wallace Wolodarsky, EUA) – Astro do ritmo polka monta um esquema duvidoso para ganhar dinheiro que acaba o fazendo ser preso. Jack Black, Jenny Slate, Jason Schwartzmann, Jacki Weaver e  J.B. Smoove no elenco,

- XX (Várias diretoras, Canadá/EUA) – Antologia de terror toda dirigida, escrita e estrelada por mulheres. Novo curta de Karyn Kusama (O Convite) entre os segmentos. Melanie Lynskey, Kyle Allen e Christina Kirk no elenco. A cantora St. Vincent dirige um dos curtas.

- Não Devore Meu Coração (Felipe Bragança, Brasil) – Cauã Reymond estrela história de amor entre jovem brasileiro e índia paraguaia, em um thriller tenso passado na fronteira. Felipe Bragança escreveu Praia do Futuro e Heleno.

- Pop Aye (Kirsten Tan, Tailândia/Singapura) – Um arquiteto desencantado com a vida reencontra, por acaso, seu bichinho de estimação da infância: um elefante que agora é maltratado pelo circo. Ele sequestra o “amigo” e pretende devolvê-lo para seu hábitat.

- Where is Kyra? (Andrew Dosunmu, EUA) – Michelle Pfeiffer retorna às telas como uma mulher que perde o emprego e tenta viver com a pensão da mãe doente. Kiefer Sutherland está no elenco do filme do diretor de Mother of George.

- Thoroughbred (Cory Finley, EUA) – Anya Taylor-Joy e Olivia Cooke são duas amigas de infância que se reúnem para tramar o assassinato do padrasto de uma delas. Anton Yelchin e Paul Sparks estão no elenco.

- Bitch (Marianna Palka, EUA) – Esmagada pelas pressões da vida doméstica e profissional, mulher surta e assume a identidade de uma cachorra raivosa (literalmente). Jason Ritter (Parenthood) está no elenco.

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