17 de jan de 2017

As 15 melhores atuações femininas na TV em 2016

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por Caio Coletti

A TV é delas. Enquanto a mídia televisiva se expande (nunca se produziu tantas séries, em tanta multiplicidade de plataformas e canais, quanto hoje), fica claro que a sensibilidade e as histórias femininas são mais bem recebidas nesse ambiente do que no cinema. Em termos de diversidade, a TV dá show em Hollywood, e é por essa incrível variedade de estilos, cores, tamanhos e idades que as damas da TV brilham mais forte do que nunca. Aqui vão as 15 melhores atuações femininas na TV em 2016, de acordo com este humilde seriador.

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15. Taraji P. Henson em Empire (Fox)

O final da segunda temporada de Empire, que foi exibida no comecinho de 2016, foi uma bagunça. A história saiu dos trilhos e os roteiristas nunca conseguiram colocá-la de volta, mas a vantagem de um novelão desavergonhado como o da Fox é que nunca é tarde demais para uma correção de curso, e o terceiro ano fez exatamente isso. Nos 9 episódios exibidos até agora, Empire voltou a abrir espaço para Taraji P. Henson brilhar como Cookie, para muito além de sua caracterização glamourosa – enquanto a série explora o passado da personagem, Henson a aprofunda e empresta propósito à atitude feroz com a qual imbuiu a matriarca dos Lyon. Ela é a personificação do “cada vez melhor”.

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14. Sarah Jessica Parker em Divorce (HBO)

Para alguém que passou uma boa parte de sua carreira interpretando a cosmopolitana obsessiva Carrie Bradshaw em Sex and the City, Sarah Jessica Parker raramente se importa com o exterior de suas personagens. Em Divorce, ela compõe sua Frances de dentro para fora, achando formas sutis de externar suas neurosas, seja para efeitos de humor ou drama – com a ajuda de um ótimo Thomas Haden Church, ela cria uma dualidade perfeita para espelhar com honestidade o processo de separação contemporâneo. É fácil se relacionar com ela, mas Parker sabe que interpreta um ser humano cheio de falhas, e não se esconde delas.

Grace and Frankie

13. Lily Tomlin em Grace and Frankie (Netflix)

Não é fácil se manter como uma das intérpretes mais vitais em atividade aos 77 anos, mas Lily Tomlin conseguiu. A veterana comediante ganhou material à sua altura na segunda temporada de Grace and Frankie, uma melhoria em todos os sentidos em relação à primeira, lançada em 2015. A comédia da Netflix encontra profundidades e honestidades inesperadas na história dessa recém-divorciada hippie que desenvolve uma amizade tocante com a mais improvável das “companheiras de quarto”. Jane Fonda está incrível na série, mas Tomlin é o coração da trama, e a temporada tece realizações e decepções amorosas e profissionais que dão oportunidades a ela poucas vezes dadas a atrizes de sua idade.

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12. Fiona Dourif em Dirk Gently’s Holistic Detective Agency (BBC America/Netflix)

Fiona Dourif é filha de Brad Dourif, mais conhecido por seu papel de longa data como a voz do boneco Chucky na saga Brinquedo Assassino. Como atriz, Fiona demonstra energia maníaca e senso kitsch parecido, mas habilidades infinitamente superiores, ao pai – seu papel em Dirk Gently’s Detective Agency, incrível adaptação da BBC America/Netflix para a série de livros de Douglas Adams, é talvez a melhor demonstração disso que tivemos até agora. Na pele da “assassina holística” Bart Curlish, Dourif sobra em linguagem corporal, expressividade e carisma, afeiçoando o espectador com essa personagem que é muito mais vítima do que algoz.

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11. Chrissy Metz em This is Us (NBC)

Isso é o que chamamos de revelação. Embora esteja a anos tentando emplacar sucesso, a atriz Chrissy Metz encontrou o papel de sua vida na série This is Us, hit-surpresa da NBC que conquistou o público ao falar francamente de questões familiares e preconceito (de todos os tipos). Graças à sensibilidade, humor e sutileza de Metz, Kate ainda é a nossa Pearson preferida, uma doce e complicada garota que merece o amor que recebe e enfrenta os obstáculos no caminho com classe e vulnerabilidade. É uma atuação corajosa, claramente pessoal, e muito inteligente, que fez merecer seu lugar na lista – e, idealmente, nas indicações ao Emmy 2017.

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10. Alison Wright em The Americans (FX)

The Americans não tratou bem Martha, personagem de Alison Wright na série desde a primeira temporada. Secretária do FBI, ela foi usada (e até se casou) com o agente soviético Philip, protagonista da série, e no quarto ano a “operação” foi por água abaixo. Com o passar dos sete episódios em que aparece, Martha vê a vida virar de cabeça para baixo, e enquanto os roteiristas exploram as entranhas dessa mulher solitária e generosa, observamos Wright aflorar em uma performance que estava esperando anos para acontecer. Ela é brutalmente eficiente, como The Americans sempre exige de seus intérpretes.

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9. Robin Wright em House of Cards (Netflix)

No quarto ano de House of Cards, Robin Wright resolveu pedir aos produtores o mesmo salário que seu companheiro de elenco, Kevin Spacey – conseguiu, e com a “puxada de orelha” de Wright veio uma consciência de que Claire Underwood é tão, senão mais, essencial para House of Cards quanto Frank. Wright aceita o desafio de uma storyline mais densa, se segurando mesmo frente a uma tremenda atriz como Ellen Burstyn, que interpreta a mãe de Claire. Faminta, engenhosa e absurdamente resiliente, Claire, ao contrário de Frank, é uma vilã pela qual amamos torcer, e que podemos compreender – e Wright é parte fundamental disso.

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8. Issa Rae em Insecure (HBO)

Que achado que é Insecure, comédia que a HBO estreou ao lado de Divorce. Ao contrário da companheira de horário, no entanto, Insecure não tem star-power para se apoiar – Issa Rae, criadora e protagonista, é conhecida por trabalhos na internet, como a websérie The Misadventures of Awkward Black Girl (2011-2013). Na estreia na TV, ela encarna uma versão ligeiramente modificada de si mesma – a Issa da série é uma assistente social que caminha aquela deliciosa linha entre confiança empoderadora e humanidade falha e identificável. Na sua pele, Rae aparece franca, aberta e astuta, encontrando um humor natural que auxilia na construção da trajetória da personagem.

M.K. (TATIANA MASLANY)

7. Tatiana Maslany em Orphan Black (BBC America/Space)

Já no quarto ano de malabarismo artístico e multiplicação entre várias personagens, os feitos de Tatiana Maslany poderiam não impressionar como faziam antes – mas a atriz parece levar seu entendimento de cada uma dessas personas mais longe conforme as temporadas se seguem. No quarto ano, Orphan Black se abriu para temáticas fascinantes de reação à opressão, e Maslany encontrou em cada uma de suas performances uma forma de refletir isso. Seja na criação da estreante M.K. ou no episódio espetacular em que explora os cantos mais obscuros de Sarah, a atriz canadense está tão conectada com a realidade de suas personagens quanto sempre esteve. Pode não ser mais novidade, mas ainda é de se aplaudir de pé.

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6. Lena Headey em Game of Thrones (HBO)

O caso de Lena Headey é particularmente impressionante em 2016 porque ela sempre foi espetacular como Cersei Lannister em Game of Thrones, mas nunca tão espetacular quanto nessa sexta temporada. A série dá a Cersei muito mais o que fazer aqui, após sua temporada de “contrição” nas mãos do Alto Pardal (Jonathan Pryce) – ela é uma mulher puxada ao limite, e Headey nos faz entender a amargura e a desilusão que criam a fundação para a violência de Cersei. Quando ela diz “basta”, é impossível não se identificar com o sentimento, e a liberdade que existe em detonar (literalmente) seus inimigos. Cersei é uma mulher que se escondeu atrás do poder a vida inteira, e nunca isso foi refletido de forma tão agonizante quanto nos olhos de Headey.

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5. Keri Russell em The Americans (FX)

Há 4 temporadas, Keri Russell constrói uma Elizabeth Jennings inabalável e gelada em The Americans. Até então, essa era a sua genialidade: encontrar as rachaduras e vulnerabilidades em uma mulher de aço, e ao mesmo tempo não tirá-la desse status poderoso. No 4º ano, o que a série faz é desconstruir a repressão emocional da personagem, e uma Russell grávida (à época das filmagens) explora as sensibilidades e decepções de uma agente da KGB conflitada com a natureza do seu trabalho e de sua ideologia, especialmente quando ela atinge sua família. Nunca vimos Russell tão à flor da pele, e o resultado é ainda mais potente do que estamos acostumados.

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4. Thandie Newton em Westworld (HBO)

Em uma crítica ouvi dizer que o brilhantismo da atuação de Thandie Newton em Westworld está em seu tempo. Nas mãos dos showrunners Jonathan Nolan e Lisa Joy, a Maeve interpretada pela atriz britânica se revela aos poucos, e esse florescimento está em cada detalhe da interpretação de Newton. Ela tem a habilidade e encher e dominar uma sala mesmo quando está nua e exposta, cercada por dois homens armados que podem, essencialmente, “desligá-la” a qualquer momento. Com esse comando de cena, Newton atravessa a história e as emoções (artificiais, mas muito reais) de Maeve com naturalidade e excelência, acertando cada nota no caminho e revelando a humanidade dentro do artificial.

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3. Caitlin Fitzgerald em Masters of Sex (Showtime)

O final de Masters of Sex não foi exatamente inesperado, uma vez que a série não dava o retorno desejado para a Showtime desde a 2ª temporada, mas foi um tanto abrupto. Com 10 episódios ao invés de 12, o quarto ano tentou fechar histórias (em alguns casos, sem muito sucesso) e reafirmar-se como análise da relação de poder masculino/feminino dentro da sociedade. Em  Libby, personagem de Caitlin Fitzgerald, fez isso com maestria, e é incrível como a atriz, que construiu uma performance sutil e completa até aqui, agarrou a oportunidade de revelar uma Libby que descobre, aos poucos, quem verdadeiramente é. A beleza está em observar uma atriz encontrando sua personagem ao mesmo tempo em que a personagem encontra a si mesma.

PENNY DREADFUL (Season 3)

2. Eva Green em Penny Dreadful (Showtime)

Em sua performance final como Vanessa Ives, Eva Green encontrou dentro da alma da personagem o que nem mesmo os espectadores mais fiéis poderiam prever que continuava escondido lá. A impressão com Green em Penny Dreadful é que ela entrega seu corpo a cada cena, e é essa presença física que nos cativa para entender as profundidades emocionais de Ives, que entra para o panteão de personagens inesquecíveis da TV. Na terceira temporada, em sua solidão e em sua entrega às forças do mal que a perseguiam desde o começo, Green encontra redenção, vulnerabilidade e afinidade com as trevas e a luz de uma mulher complicada e fundamental de se ter em tela no século XXI.

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1. Sarah Paulson em The People v. O.J. Simpson: American Crime Story (FX)

A interpretação mais importante do ano veio de onde já havíamos aprendido a esperar excelência, mas não nesse nível. Com Marcia Clark, a advogada que teve o ingrato trabalho de acusar o astro do futebol americano O.J. Simpson de assassinato, Sarah Paulson foi muito além das correntes de suas personagens regulares em American Horror Story, agarrando com unhas e dentes a oportunidade de construir uma mulher real, de pulso forte, que merecia melhor do que recebeu. O discurso da atuação de Paulson é tão atual quanto perfeitamente histórico, funcionando em vários níveis ao mesmo tempo e encontrando uma maneira de fazer justiça a uma mulher que a merecia. Como florescer de uma das melhores atrizes de sua geração, e como trabalho importante de correção social, merece o topo da lista.

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