30 de mar de 2017

Diários de filmes do mês: Março/2017

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por Caio Coletti

Nem todos os filmes merecem (ou pedem) uma análise complexa como a que fazemos com alguns dos lançamentos mais “quentes” ou filmes que descobrimos e nos surpreendem positivamente. É levando em consideração a função da crítica e da resenha como uma orientação do público em relação ao que vai ser visto em determinado filme que eu resolvi criar essa coluna, que visa falar brevemente dos filmes que não ganharam review completo no site. Vamos lá:

noc

Animais Noturnos (Nocturnal Animals, EUA, 2016)
Direção: Tom Ford
Roteiro: Tom Ford, baseado em livro de Austin Wright
Elenco: Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Michael Shannon, Aaron Taylor-Johnson, Isla Fisher, Armie Hammer, Laura Linney, Andrea Riseborough, Michael Sheen
116 minutos

Em muitos sentidos, Animais Noturnos é a evolução natural de Direito de Amar, filme de estreia do estilista Tom Ford na direção, lançado em 2009. Assim como seu predecessor, Animais Noturnos é esteticamente perfeito, a um ponto em que os ângulos incansavelmente retos e a frieza de Ford na direção se colocam no caminho da conexão emocional com a história que passa em tela. É claro, Animais Noturnos é mais sombrio, violento e tenso do que Direito de Amar jamais poderia ser, mas Ford nunca permite que o filme seja rústico – pelo contrário, é um conto sofisticado de personagens sofisticados, uma fábula adulta sobre a completa falta de sentido nos padrões de felicidade, beleza e comportamento impostos pela sociedade. Nesse sentido, a artificialidade construída pelo diretor funciona a favor da elaboração lógica e crítica do filme, mas deixa à deriva os momentos mais viscerais de sua obra, especialmente aqueles localizados na violenta “história dentro da história” que acompanhamos durante os 116 minutos de metragem.

A ostensiva protagonista do filme é Susan (Amy Adams), uma bem-sucedida dona de galeria que recebe o manuscrito do novo livro de seu ex-marido, Edward (Jake Gyllenhaal). O filme acompanha o passado do relacionamento dos dois, a vazia vida levada por Susan atualmente com o novo esposo, interpretado por Armie Hammer, e a trama do livro em questão, um thriller sobre um homem (também Gyllenhaal) buscando vingança após sua esposa e filha serem sequestradas e mortas por um grupo de delinquentes liderado por Aaron Taylor-Johnson. Ford tem extremo cuidado estético com o filme, coordenando uma fotografia habilidosa no uso de cores (de Seamus McGarvey) com espertas elaborações de figurino, maquiagem e edição, criando um filme de ritmo seguro.

O peso de vender a história para o espectador em uma dimensão emocional, no entanto, acaba caindo apenas sobre as atuações, e esse é um fardo pesado mesmo para os atores excepcionais que Ford reúne. O rosto reativamente expressivo de Adams é perfeito para um papel que exige muita carga emocional silenciosa, mas mesmo em seus melhores momentos a atriz se vê sem muito o que fazer com Susan, enquanto Gyllenhaal e Michael Shannon abocanham papeis mais suculentos, que ganham vida na narrativa quase pulp do livro que ela lê. Na forma como eles se entregam a esses personagens mora um versão ainda mais excepcional de Animais Noturnos – do jeito que está, no entanto, o filme merece uma olhada.

✰✰✰✰ (4/5)

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Passageiros (Passengers, EUA, 2016)
Direção: Morten Tydlum
Roteiro: Jon Spaiths
Elenco: Jennifer Lawrence, Chris Pratt, Michael Sheen, Laurence Fishburne, Andy Garcia
116 minutos

Eis o motivo pelo qual Passageiros é tão decepcionante, mesmo que você entre nele sabendo que a crítica no geral picou o filme em pedacinhos na época de seu lançamento: nas mãos de um roteirista ousado, ele poderia ser fascinante. Como qualquer trama bem sacada de ficção científica, o filme é impregnado de possibilidades filosóficas e sociais – a diferença dele para seus contemporâneos é que Passageiros foge de todas elas como o diabo foge da cruz. É verdade que se trata de um filme de estúdio, capitaneado por dois dos maiores astros da nova geração de Hollywood, o que em parte explica seu receio em desvendar os cantos mais escuros sugeridos por sua premissa, empurrando ao invés disso a trama de Jon Spaiths (Doutor Estranho) por um caminho tóxico, cheio de mensagens dúbias e, talvez ainda pior que tudo isso, previsível e monótono. A partir do momento em que Passageiros habilidosa e frustrantemente contorna as questões polêmicas e intrigantes em seu cerne, é fácil definir para onde a trama está indo, e o sentimentalismo barato que infesta o terceiro ato do filme não combina com a execução sofisticada que marca os aspectos técnicos dele.

A trama acompanha Jim Preston (Chris Pratt), um engenheiro que assinou junto a milhares de outras pessoas para ser um dos pioneiros colonizadores de um planeta distante. O problema é que, por conta de um mal funcionamento da nave, sua câmara criogênica para de funcionar 90 anos antes da chegada ao planeta em questão, e é impossível apenas ligá-la novamente. Durante o primeiro ato do filme, o talento e carisma de Pratt carregam um personagem mais ou menos envolvente em seus dilemas existenciais, até chegar a um que é muito mais ético (e espinhoso). Sem o perigo de soltar spoilers, Passageiros poderia lidar com questões de consentimento, moralidade, até idealização romântica – mas, em meio a direção elegante de Morten Tydlum e a um design de produção espetacularmente inventivo, o filme escolhe um caminho muito mais fácil (e entediante, e nocivo).

✰✰ (2/5)

cobra

King Cobra (EUA, 2016)
Direção: Justin Kelly
Roteiro: Justin Kelly, baseado no livro de Andrew E. Stoner & Peter A. Conway
Elenco: Garrett Clayton, Christian Slater, Molly Ringwald, Keegan Allen, James Franco, Alicia Silverstone
91 minutos

Embora não tenha afinado totalmente sua sensibilidade ainda, o diretor e roteirista Justin Kelly é um nome para se observar no cinema LGBT da nova geração. Com King Cobra, seu segundo longa metragem, ele mostra que sabe equilibrar tons e brincadeiras de gênero com uma história genuinamente fascinante que transporta personagens reais para um contexto crível e complexo. Por vezes engraçado ao analisar a vaidade de alguns de seus sujeitos, por vezes perturbador ao expor o abuso sistemático que existe dentro da indústria que retrata, o filme é ágil, sexy, envolvente e recompensador. Sem contar, é claro, que é um olhar esclarecedor e refrescantemente representativo sobre o mundo da pornografia gay, através de uma história real icônica desse universo – em parte por ser um homem gay, a visão de Kelly sobre o assunto é exemplarmente equilibrada, buscando entender os anseios, repressões e desejos que levam esses personagens marginalizados a se envolver com essa indústria, e desvendando os aspectos genuínos e nocivos dela.

A trama acompanha Sean Paul Lockhart (Garrett Clayton), que é “descoberto” pelo produtor pornô Stephen (Christian Slater) e se torna um dos primeiros super-astros da pornografia gay virtual sob o pseudônimo de Brent Corrigan. Quando a relação entre os dois se torna abusiva e insustentável para Lockhart, ele recebe proposta do casal Joe (James Franco) e Harlow (Keegan Allen) para se juntar a uma outra produtora, e as coisas se tornam um pouco mais sombrias e violentas do que qualquer um deles poderia imaginar. O filme agarra cada oportunidade que a história apresenta para destrinchar relações familiares e afetivas, ambições e receios de seus personagens, e por isso se torna um poderoso retrato dos seres humanos no centro dessa indústria.

Embora a caricatura de Franco seja um pouco cansativa conforme o filme progride, seus companheiros de elenco entendem a mensagem do roteiro e constroem personagens críveis e envolventes. Slater, especialmente, encontra tremenda profundidade nas perversões, violências, egocentrismos e vitimizações sofridas e infligidas por Stephen, enquanto Clayton é um achado com seu sorriso maliciosamente ambicioso (e, ao mesmo tempo, vulnerável) na pele de Lockhart/Corrigan. Kelly ainda tem que afinar suas colaborações com diretores de fotografia, editores e designers de produção, de forma que King Cobra ainda parece uma obra tecnicamente incompleta, mas o caminho que ele está trilhando como contador de histórias certamente é excitante (em mais de um sentido).

✰✰✰✰ (3,5/5)

tarzan

A Lenda de Tarzan (The Legend of Tarzan, Inglaterra/Canadá/EUA, 2016)
Direção: David Yates
Roteiro: Adam Cozad, Craig Brewer, baseados nos livros de Edgar Rice Burroughs
Elenco: Alexander Skarsgard, Margot Robbie, Christoph Waltz, Samuel L. Jackson, Djimon Hounsou, Simon Russell Beale
110 minutos

Alexander Skarsgard entrega a pior atuação de 2016 em A Lenda de Tarzan, e o meu maior problema com isso é que Alexander Skarsgard não é um mau ator. De seu papel em True Blood até a recente Big Little Lies, o sueco provou que, com o papel certo, ele sabe modular seu físico impossivelmente impressionante e sua beleza clássica em uma subversão cuidadosa e inteligente de si mesmo. Como Tarzan, no entanto, no filme terrivelmente inano montado por David Yates, ele não encontra oportunidade nenhuma de fazer essa subversão, e a verdade é que Skarsgard é muito, muito ruim em ser um galã clássico. Seu ato de “forte e caladão” não convence, e é talvez o problema mais claro de um filme cheio deles. Nas mãos de Yates, que dirigiu boa parte da franquia Harry Potter (do quinto filme em diante, para ser específico), o pulp das histórias clássicas de Tarzan é misturado com um senso de seriedade irritante, e os aspectos mais preconceituosos e ultrapassados delas ficam mais claros em tela.

Dessa vez, conhecemos Tarzan quando ele já é Lord John Clayton, levado de volta para a “civilização” após passar boa parte de sua vida na selva e conhecer Jane (Margot Robbie). Embora a história clássica seja contada em flashbacks, o filme foca no retorno de Tarzan para a África, onde ele é inadvertidamente usado de “isca” por um capanga (Christoph Waltz) do rei da Bélgica, que dominava aquela região do continente – ele pretende usar Tarzan para conquistar os favores de uma tribo poderosa, comandada por Djimon Hounsou. A pobre Robbie está presa no papel de uma Jane que ensaia atos rebeldes de poder feminino mas, no fim das contas, ainda precisa de seu marido musculoso para salvá-la, e embora os efeitos especiais que recriam animais selvagens serem impressionantes, Yates lida todos eles com o mesmo olhar pseudo-realista-entediante que ele imprimiu aos filmes finais de Potter. A diferença é que, aqui, não há uma J.K. Rowling para ajudar.

✰✰✰ (2,5/5)

boss

A Chefa (The Boss, EUA, 2016)
Direção: Ben Falcone
Roteiro: Melissa McCarthy, Ben Falcone, Steve Mallory
Elenco: Melissa McCarthy, Kristen Bell, Peter Dinklage, Ella Anderson, Kathy Bates, Cecily Strong, Kristen Schaal
99 minutos

Melissa McCarthy é o tipo de comediante que conseguiria envolver o público mesmo com a mais rasa e repetitiva das personagens (em outras palavras, ela é o tipo de comediante que carregou uma série de Chuck Lorre nas costas por cinco temporadas). Em A Chefa, dirigido e co-escrito por seu marido Ben Falcone, ela testa novamente essa habilidade ao lado de uma sempre adorável Kristen Bell, e dos tristemente caricatos Peter Dinklage e Kathy Bates. A aposta funciona em muitos sentidos, uma vez que somos levados, pela pura magia de sua intérprete, a torcer pela grosseira ex-magnata que perde tudo e precisa recorrer a sua ex-assistente (Bell) para se reerguer com um negócio de venda de brownies. Nas mãos de McCarthy, a pitoresca Michelle Darnell não é só uma presença simpática em tela, como também (e principalmente) uma presença muito engraçada, mesmo quando o roteiro está em seus piores momentos de inspiração. Ao contrário de Dinklage e Bates, atores dramáticos habilidosos perdidos em caracterizações e piadas nada sutis, McCarthy encontra espaço para Darnell registrar como personagem crível.

E ainda bem que encontra, porque Falcone não faz a menor ideia de como dirigir uma comédia, ou como discursar através dela. Falta tanta inspiração a sua câmera que mesmo os momentos de comédia física são filmados e editados de maneira que diminuem o impacto das piadas, e não o contrário – a impressão é que A Chefa desperdiça oportunidades valiosas quando McCarthy não está em tela. Se o filme funciona como uma afirmação de poder e união feminina, é porque  a química entre as duas protagonistas e o desenho rudimentar do roteiro caminham nessa direção. Por essas qualidades, o filme vale a pena uma conferida.

✰✰✰ (3/5)

rogue

Rogue One: Uma História Star Wars (Rogue One: A Star Wars Story, EUA/Inglaterra, 2016)
Direção: Gareth Edwards
Roteiro: Chris Weitz, Tony Gilroy
Elenco: Feliciy Jones, Diego Luna, Alan Tudyk, Donnie Yen, Wen Jiang, Ben Mendelsohn, Forest Whitaker, Riz Ahmed, Mads Mikkelsen, Jimmy Smits, Genevieve O’Riley
133 minutos

Rogue One é o primeiro filme da saga Star Wars a lidar de frente com um tema que, para qualquer fã minucioso, sempre fez parte do DNA da história que George Lucas começou a contar lá em 1977: a ética de uma revolução. Para ser justo, Rogue One é também o primeiro filme que nos leva para o coração do movimento da Aliança Rebelde, que lutou contra a dominação do Império instaurado por Darth Vader e Palpatine – nas aventuras anteriores, a ideia da Aliança era quase abstrata, definida de forma rudimentar pelas missões em que nossos protagonistas eram enviados. Nós conhecemos uma de suas líderes, a Princesa Leia, mas não soubemos o que ela fez ou deixou de fazer por esse movimento ao qual se juntou. Rogue One, por sua vez, é todo sobre sacrifícios e compromissos morais assumidos pelos rebeldes, e a abordagem que o roteiro de Chris Weitz e Tony Gilroy faz ao tema é esperta, ainda que não seja terrivelmente complexa e fascinante como poderia ser. Por esse motivo, Rogue One já marcou seu lugar na história colossal de uma das maiores franquias e marcas da história do cinema, preenchendo não só um buraco de trama como um buraco temático dentro do universo Star Wars.

Nessa missão temática, no entanto, Weitz e Gilroy negligenciam seus personagens, e a maior afetada por isso é a ostensiva protagonista do filme, Jyn Erso, interpretada por Felicity Jones. Erso é a filha de um renomado cientista (Mads Mikkelsen) sequestrado pelo Império, que os ajudou a construir a temida Estrela da Morte. Um piloto da Aliança Rebelde, Cassian Andor (Diego Luna), resgata a solitária Erso de uma prisão para que ela entre em contato com um antigo amigo de seu pai, o extremista Saw Gerrera (Forest Whitaker) – a missão em que todos partem depois dessa fatídica visita à Gerrera é uma que se conecta diretamente com o Guerra nas Estrelas original, de 1977. A estrutura de Rogue One é um pouco desconjuntada, e as refilmagens e reajustes no roteiro pelos quais o filme passou na pós-produção ficam claros nesse sentido.

Esse não seria um problema tão grande, no entanto, se não levasse a um problema de desenvolvimento de personagem, especialmente para Jyn – da rebelde sarcástica que vimos no trailer pouco resta, e seu arco de uma outsider cínica para uma líder nata não convence. De fato, ela tem pouca ou nenhuma agência na história, e é completamente definida pelos caminhos que aqueles a sua volta (em sua imensa maioria, homens) traçam para ela, seja por antagonismo ou motivação. Assim como em Godzilla, seu filme anterior, Gareth Edwards quer fazer um filme de guerra realista dentro de um contexto fantástico, kitsch, e essa é uma ideia fascinante, que leva a temáticas ainda mais. Assim como Godzilla, no entanto, Rogue One é um empreendimento tristemente incompleto e, em última instância, um pouco frustrante.

✰✰✰✰ (3,5/5)

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A Mulher Mais Odiada dos Estados Unidos (The Most Hated Woman in America, EUA, 2017)
Direção: Tommy O’Haver
Roteiro: Tommy O’Haver, Irene Turner
Elenco: Melissa Leo, Brandon Mychal Smith, Juno Temple, Michael Chernus, Rory Cochrane, Alex Frost, Josh Lucas, Vincent Kartheiser, Adam Scott
91 minutos

Melissa Leo domina a tela em A Mulher Mais Odiada dos Estados Unidos, novo filme produzido pela Netflix – e essa é uma maneira adequada de caracterizar sua performance, ainda mais do que o normal, porque sua personagem aqui é também maior que a vida, e quase opressivamente dominante daqueles ao seu redor. Ela encarna Madalyn Murray O’Hair, conhecida por ser a ativista responsável por banir orações e leituras bíblicas obrigatórias nas escolas americanas. O filme foca não só na carreira de O’Hair como polemista de primeira e ativista pela separação de Igreja e Estado sem tomar uma oposição maniqueísta, expondo as falcatruas morais e financeiras de O’Hair tanto quanto sua importância social e sua fibra ideológica. Foca também no impressionante caso que resultou na morte dela, de seu filho mais novo e de sua neta, quando os três foram sequestrados por um grupo de criminosos liderado por um ex-empregado de O’Hair, aqui interpretado por Josh Lucas – desaparecidos por mais de duas semanas, O’Hair e companhia acabaram vítimas do temperamento volátil de um dos sequestradores, e da falta de escrúpulos de outro.

O diretor e co-roteirista Tommy O’Haver, conhecido pelo chocante Um Crime Americano, equilibra seu filme com maestria, deixando que Leo mastigue o cenário e extraindo performances mais contidas, ainda que muito bem caracterizadas, dos coadjuvantes. Lucas encontra espaço para estruturar um vilão kitsch, envolvente e revoltante, tudo ao mesmo tempo, entendendo que o tom sensacionalista do filme é disfarce para uma análise profunda da mulher em seu cerne. A Mulher Mais Odiada dos Estados Unidos entende O’Hair como alguém que tirava um prazer quase perverso em ser adversária ideológica da convenção social, uma mulher que, esmagada pela sociedade que lhe exigia ser algo que ela não era, arrastou aqueles a sua volta consigo em uma revolta importante (fundamental, até), mas não sem consequências. Ela merecia alguém tão extravagante quanto Melissa Leo para interpretá-la – e ainda bem que conseguiu.

✰✰✰✰ (4/5)

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